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Jung Kook: Sem Limites

Entrevista para as edições da Rolling Stone do Reino Unido, Japão e Coreia, como parte de um projeto colaborativo inédito

3 de janeiro de 2026

Enquanto os ícones do pop do século XXI, BTS, se preparam para decolar novamente após um hiato imposto pelo serviço militar, o membro mais jovem do grupo, Jungkook, reflete sobre sua jornada de maknae a artista solo, compartilha a rotina de autocuidado que o mantém são e revela como o período afastado da música reacendeu ainda mais sua paixão por ela.

Há muitas perguntas em torno de Jungkook, astro pop global e um dos rostos mais famosos do planeta. Sobre os 18 meses em que o integrante do BTS passou de uniforme, em grande parte fora dos holofotes e dentro da cozinha, cumprindo o serviço militar obrigatório como cozinheiro. Sobre como é voltar aos holofotes como um verdadeiro artista solo e, ao mesmo tempo, como parte dos ícones do pop do século XXI que são o BTS. Sobre a música que vem sendo produzida discretamente para o próximo álbum do grupo em Los Angeles e sobre como poderá soar, e parecer, esse retorno. Ainda assim, quando nos encontramos em um estúdio iluminado pelo sol no West Side de Nova York para sua sessão de capa global, Jungkook está mais concentrado nos detalhes cotidianos, como o que vai comer hoje. E, sim, ele tem pensado bastante nisso.Ultimamente, estou de dieta e como apenas uma refeição por dia, conta, com um leve sorriso. “Então fico realmente ansioso por essa refeição. Me pego pensando: ‘O devo comer hoje?’ e espero com paciência. Quando finalmente como, sinto uma espécie de realização.

Hoje, essa refeição ainda está por vir: um prato de um restaurante local de fusão coreana, recomendado por um amigo. Um almoço tardio, jantar antecipado — tecnicamente, o café da manhã. Com a agenda que tem, não há horários fixos para as refeições; ele se alimenta quando pode. Por enquanto, está no piloto automático. Jungkook é embaixador global da Calvin Klein desde a primavera de 2023 e acaba de sair de uma aparição surpresa no desfile de Primavera/Verão da marca, em Manhattan.

Jungkook vive no aqui e agora. Não gosta de se prender ao passado ou filosofar sobre o futuro. Quando percebe uma pilha de revistas Rolling Stone sobre a mesa à sua frente, com seu próprio rosto estampado na capa, faz uma careta divertida ao encarar sua versão mais jovem e com cabelo mais claro. “Quem é esse cara?”, diz, rindo. “Por que escolheram isso como capa?” Ver aquela versão de si mesmo não desperta nostalgia. Ele apenas balança a cabeça e ri novamente, sem vontade de se deter em alguém que ele não é mais. “Eu não gosto do passado”, afirma. “Estou aproveitando o agora.

Talvez essa postura seja inevitável quando sua adolescência, seus vinte e poucos anos, todo o seu processo de formação, foram documentados e transmitidos para milhões de pessoas. As fotos, os vídeos, as performances — tudo cria versões suas que não podem ser simplesmente deixadas para trás. Cada repetição ou versão de Jeon Jungkook existe em algum lugar: nas telas, nas músicas, nas capas de revistas, na memória de desconhecidos. Para alguns, ele será sempre o maknae de rosto juvenil — termo do K-Pop para o membro mais novo de um grupo — de sorriso largo. Para outros, é um homem de 28 anos que ainda está se revelando em tempo real, tatuado e seguro de si.

Ele se descreve como pragmático, ou um “realista”, como prefere dizer. Isso soa mais como autopreservação. Quando tanto de você já foi registrado, arquivado e analisado, o único controle que resta é sobre este momento.

Isso talvez explique sua relação mínima com as redes sociais tradicionais. Em 2023, ele desativou sua conta pessoal no Instagram — dezenas de milhões de seguidores se foram em um instante — explicando simplesmente que “não usava muito”. Ele retornou discretamente em julho de 2025, lançando um novo perfil que, meses depois, segue vazio. Nenhuma postagem, nenhuma legenda, apenas 14 milhões de seguidores à espera de algo que talvez nunca venha.

Em contraste, Jungkook atualiza com frequência o Instagram de seu cachorro, Bam, que reúne quase oito milhões de seguidores. O perfil é uma galeria de retratos delicados, cuidadosamente compostos. Para alguém cuja própria imagem foi reproduzida à exaustão, a fotografia se torna uma forma de olhar para fora, de observar em vez de performar. É outra maneira de existir no presente. Para ver sem ser visto.

Ele compartilha vislumbres mais íntimos de sua vida duas a três vezes por mês no WEVERSE, a plataforma global de superfãs criada pela HYBE, empresa-mãe da gravadora do BTS, a BIGHIT MUSIC. Mesmo em seus momentos mais privados, a vida de Jungkook se desenrola em público. Quando ele abre uma transmissão ao vivo no WEVERSE, milhões entram instantaneamente — para vê-lo comer, assistir a um filme ou simplesmente permanecer em silêncio. Às vezes ele canta; outras, não diz nada. Em um momento que já se tornou lendário, ele acabou adormecendo no meio de uma transmissão, com quase seis milhões de pessoas observando em silêncio enquanto cochilava — uma estrela pop em repouso, o mundo prendendo a respiração para não acordá-lo.

Esse paradoxo, ser visto/assistido por todos e, ainda assim, permanecer centrado em si mesmo, é o que hoje o mantém ancorado. Jungkook não se perde em excessos de reflexão; ele age pelo que sente. Isso se revela na forma como fala, ponderada e sem defesas, e na maneira silenciosamente magnética com que se porta. Fora do palco, ele é surpreendentemente sereno. “Quando não estou no palco, tento manter a mente vazia e evitar pensar demais”, conta. “Coloco toda a minha inspiração quando estou trabalhando em um álbum ou me preparando para uma performance. Mas, no dia a dia, prefiro manter as coisas simples e pensar de forma direta.

Observá-lo passar pelas poses do ensaio com destreza já treinada — a mão erguida até o maxilar, click do obturador; o queixo inclinado em direção à luz, click; o casaco escorregando por um ombro, click; os olhos se estreitando em um olhar intenso, click; uma risada súbita quebrando o encanto, click — deixa claro que tudo isso é memória muscular, resultado de mais de uma década diante das câmeras, treinado para extrair o máximo de cada instante.

Aos 15 anos, ele se tornou o integrante mais jovem do BTS, grupo que passaria de novatos desacreditados a fenômenos globais incontestáveis em menos de cinco anos. Ainda adolescente, o rótulo de “golden maknae” se consolidou, uma espécie de abreviação para definir um jovem prodígio capaz de fazer tudo: cantar, dançar, fazer rap e, até mesmo — como o tempo mostraria —, dirigir. Anos depois, ele comandaria a filmagem de ‘Life Goes On’, o videoclipe ‘slice of life (com recortes do cotidiano)’ lançado em 2020, que transformou uma pausa global em algo silenciosamente humano. Não era sua primeira vez atrás das câmeras. Sob o selo G.C.F (Golden Closet Film), Jungkook filmava e editava seus próprios vlogs de viagem há anos: registros íntimos feitos com uma câmera na mão, de uma vida em movimento, compras em Tóquio, treinos na academia de um hotel em Budapeste, cenas dos companheiros de grupo nas praias de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte. Os vídeos revelam um olhar de diretor atento ao ritmo e à luz, aos momentos suaves e aos gestos fugazes, além de um instinto inegável para encontrar verdade nos instantes de transição.

Nos primeiros anos, o tempo parecia se confundir de forma diferente. Os dias eram preenchidos por ensaios, gravações de programas de variedades e pequenos showcases que, quase imperceptivelmente, deram lugar a turnês mundiais e palcos de estádio. O que hoje soa como algo natural no set — os acenos de compreensão, os ajustes rápidos, a eficiência simples e as gentilezas — foi forjado naquele período, quando cada segundo de prática servia para reduzir a distância entre o BTS e os gigantes da indústria que enfrentavam.

Esse período, desde então, cristalizou até a lenda. A história do BTS já foi contada e recontada: sete jovens de uma gravadora pequena, desacreditados na estreia, lutando por espaço em uma indústria dominada por idols impecáveis de empresas muito maiores. Eles não deveriam virar o sistema de cabeça para baixo. Não estavam destinados a dominar as paradas na Coreia — muito menos nos Estados Unidos. E, ainda assim, com dedicação incansável e uma confiança quase desafiadora uns nos outros, eles conseguiram. Em 2018, ‘LOVE YOURSELF 轉 Tear’ tornou-se o primeiro álbum coreano a estrear em primeiro lugar na parada Billboard 200 dos EUA, abrindo caminho para outros cinco álbuns que alcançaram o mesmo feito — entre eles ‘MAP OF THE SOUL: 7’ (2020), que vendeu 4.1 milhões de cópias em apenas nove dias na Coreia do Sul. Seis de seus singles também chegaram ao topo da Billboard Hot 100. Em 2020 e 2021, o grupo se tornou o primeiro artista da história a liderar o ranking IFPI Global Recording Artist por dois anos consecutivos. Marcos como esses consolidaram o lugar do grupo no panteão do pop e prepararam o terreno para a ascensão global do K-Pop.

O BTS passou de apresentações em estúdios de TV apertados e salões de fansign a estádios lotados em vários continentes; de piada em programas de variedades a indicados ao GRAMMYs; de dividir um único quarto a possuir suas próprias residências de luxo em Seoul. Sua mitologia é costurada por incontáveis horas de ensaios de coreografia, transmissões ao vivo madrugada adentro em torno de uma panela de jjukkumi (polvo pequeno) e barriga de porco, e músicas que expunham suas ansiedades com a mesma franqueza que suas ambições. Para os fãs, esses momentos se tornaram quase sagrados: o suor no chão das salas de ensaio, as lágrimas nas premiações, as vitórias conquistadas com esforço.

E, no centro de tudo, estava Jungkook: o mais jovem, o maknae, um garoto se descobrindo sob o olhar implacável da atenção global.

Jungkook nasceu em Busan, cidade portuária na costa sudeste da Coreia do Sul, conhecida por suas praias e agitação. Filho caçula de uma família unida, era um garoto tímido, de imaginação vívida — alguém mais inclinado a desenhar, praticar esportes ou se perder em devaneios do que a buscar os holofotes. Isso mudou no dia em que viu uma apresentação de K-Pop na televisão. Foi atraído pelo carisma e pela energia dos idols. Pela primeira vez, conseguiu se imaginar naquele universo. Aos 13 anos, ele participou das audições do programa de talentos coreano Superstar K e não passou, mas seu potencial era inegável: várias agências demonstraram interesse. Entre elas, a BIGHIT MUSIC. Assistir a um vídeo de RM, futuro colega de grupo, fazendo rap, foi decisivo para Jungkook. Ele deixou sua casa e se mudou para Seoul para treinar como cantor. Foi uma decisão que transformaria tanto sua adolescência quanto sua percepção do tempo. Os ritmos da infância deram lugar à prática. A vida deixou de ser medida em estações e passou a ser contada em horas de ensaio.

Apesar de ser o mais jovem do grupo, ele raramente agiu como tal. Mesmo nas imagens mais antigas — um adolescente de moletons largos e bochechas arredondadas, curvando-se diante da câmera com uma mistura de timidez e determinação — já havia um lampejo de profissionalismo, de alguém que observava atentamente como se tornar grande. Os integrantes mais velhos brincavam com sua timidez, com o tempo excessivo que passava praticando, com o fato de falar pouco e se expressar mais através do movimento. O que parecia talento natural era, na verdade, uma espécie de obsessão: uma fome constante de acompanhar os outros, de provar que merecia estar ali.

À medida que o BTS crescia, ele também crescia. Mesmo que “crescer” mal descreva o que acontece quando a adolescência se desenrola entre turnês mundiais e transmissões ao vivo. As salas de ensaio se tornaram sua sala de aula; o palco, sua única constante. Sua voz se aprofundou, seus movimentos ganharam precisão, suas arestas se suavizaram. Ele aprendeu a se manter com controle silencioso, a transformar emoção em exatidão. O apelido golden maknae permaneceu, mas o mito escondia o quanto ele trabalhou para estar à altura dele.

Por trás das brincadeiras carinhosas dos colegas — sobre como o “criaram” e o levavam e buscavam da escola em seu uniforme amarelo vibrante — há algo agridoce sob a imagem: um garoto tentando atravessar a distância entre juventude e a idade adulta sob as luzes do palco.

Ele deixou transparecer essa tensão em seu próprio trabalho. Em ‘My Time’ (2020), faixa solo de R&B suave do álbum ‘MAP OF THE SOUL: 7’, Jungkook escreve sobre estar fora de sintonia com o mundo, perseguindo uma vida que parecia correr à sua frente. “Sinto como se tivesse me tornado adulto mais rápido do que qualquer um”, ele canta. A música soa como uma confissão de alguém que passou os primeiros anos correndo em direção ao sucesso antes mesmo de conseguir acompanhar a si próprio.

Apenas três anos depois, Jungkook fez sua estreia solo com ‘Seven (feat. Latto)’, o momento mais decisivo de sua carreira até agora.“Trabalhar em ‘Seven’ foi, para mim, o momento mais importante e especial”, afirma. “Foi essa canção que me permitiu continuar seguindo em frente até hoje.” Antes disso, ele se sentia preso em um limbo. Após anos de produção constante com o BTS, nada do que ouvia ou trabalhava para sua estreia solo parecia certo. “Tudo parecia um fardo”, admite. Então a música surgiu, e, de repente, a chama se reacendeu. “‘Seven’ me fez querer retomar o caminho”, diz.

Lançada no verão, ‘Seven (feat. Latto)’ chegou como um choque. Seu dedilhado acústico arejado e a pulsação do gênero UK garage escondiam algo mais íntimo — e até provocador. Ali estava um ídolo pop deixando para trás o mito da inocência, reivindicando a plenitude da vida adulta com a própria voz — e fazendo isso em inglês, para um público global que já havia imaginado mil versões dele.

A canção liderou paradas ao redor do mundo, incluindo a Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, e embalou milhares de edições on-line provocantes, oferecendo a Jungkook um novo tipo de autoconfiança. “Eu realmente amei ‘Seven’ e me sentia confiante ao apresentá-la, mas ainda assim fiquei surpreso com o quão bem foi recebida”, diz. “Essa reação me deu ainda mais confiança.”

Se ‘My Time’ mostrava Jungkook olhando para dentro, tentando compreender o quão rápido precisou crescer, ‘Seven (feat. Latto)’ o apresentava olhando para fora, redescobrindo o prazer da performance. A leveza da faixa, sua sensualidade descomplicada e o acabamento pop preciso apontavam para um artista confortável na própria pele. Parecia que ele finalmente havia alcançado a si mesmo.

Se ‘Seven (feat. Latto)’ foi Jungkook abrindo a porta, o álbum solo ‘GOLDEN’ foi ele atravessando-a. Lançado no inverno de 2023, o disco — que desde então já acumulou seis bilhões de streams no Spotify — evidenciou essa nova confiança. Diferentemente da discografia do BTS, marcada por forte carga emocional e mensagens elaboradas, ‘GOLDEN’ surgiu refrescantemente leve. Jungkook optou por não assinar as composições, escolhendo colaborar com um time internacional de compositores e produtores que lhe permitiu transitar livremente entre gêneros. Foi uma decisão consciente, pensada para que ele se concentrasse apenas no som, na performance e no prazer. Enquanto o BTS construiu universos densos de emoção e significado, ‘GOLDEN’ se guiou pelo instinto: perseguir aquilo que soava bom.

Assim, Jungkook tratou ‘GOLDEN’ como um ‘moodboard’ de puro sentimento. Ao longo de suas 11 faixas, ele veste diferentes skins: o groove elétrico de ‘3D (feat. Jack Harlow)’, a nostalgia dos anos 2000 em ‘Yes or No’, a brilhante linha de guitarra de ‘Too Sad to Dance’ e a atitude arrebatadora de ‘Standing Next to You’ (mais tarde remixada com Usher). Com nuances que vão do disco cintilante ao R&B sedutor, passando por ballads noturnas, o álbum soa como um pop star testando seus próprios limites, encontrando prazer na colaboração mais do que na autoria.

Sonoramente, ‘Seven (feat. Latto)’ já indicava essa mudança — leve, enganadoramente simples, sustentada por uma voz que amadureceu em veludo. ‘GOLDEN’ expandiu essa paleta.

Para alguém há tanto tempo rotulado como o “golden maknae”, a perfeição sempre foi uma busca e, apesar do sucesso do álbum, ele acredita que ainda há espaço para evoluir. “Mesmo agora, depois do lançamento de ‘GOLDEN’, ainda consigo ver muitos pontos em que tudo poderia ter sido ainda melhor, seja nos vocais ou nas performances de palco”, admite. “Mas é exatamente essa sensação que me impulsiona a continuar dando o meu máximo no futuro, refinando e entregando trabalhos de qualidade cada vez mais alta.

O álbum aprofundou sua vontade de lapidar o próprio ofício. “Este é um momento em que posso avaliar se consigo dar mais um salto adiante”, diz, referindo-se à sua produção recente em estúdio. “Em vez de fazer sempre o mesmo tipo de performance ou repetir músicas parecidas, estou tentando coisas novas e continuo evoluindo para poder mostrar diferentes lados de mim.

Hoje, o adolescente de olhos arregalados e curiosos ficou no passado. Em seu lugar está alguém mais afiado, mais seguro, mais dono de si: abdômen esculpido, braços tatuados em explosões de cor que sobem dos dedos até o ombro. Uma cobra se enrola em torno de seu antebraço direito; abaixo dela, veias desenham o mapa de anos em movimento, a disciplina do desempenho gravada na pele. Cada tatuagem soa como mais uma marca de posse.

Mesmo aqui, vestido com jaqueta de couro, regata preta e jeans claros da Calvin Klein, Jungkook chama atenção sem precisar pedir. As câmeras disparam, e ele mal precisa de direção: os anos lhe ensinaram exatamente o que a luz espera. “Esperamos por ele por 18 meses”, comenta alguém da Calvin Klein no set. O resto do mundo também.

Por uma década, esse mundo o viu crescer em tempo real. A mudança não foi repentina, mas aos poucos: uma lenta tomada de espaço, de desaprender a pedir permissão. Sua transformação — as tatuagens, os músculos, o olhar sem reservas — não é um gesto de rebeldia, mas de reivindicação. É o corpo finalmente alcançando a pessoa que sempre existiu dentro dele.

Hoje em dia, essa disciplina se voltou para si. “Tenho tentado focar mais na minha saúde”, Jungkook conta. “Tenho praticado muitas atividades físicas, como badminton, boliche e corrida.” À primeira vista, soa quase comum, até que se percebe o quão raro é ouvi-lo falar sobre os aspectos mais silenciosos de sua vida. Ele sequer escuta música enquanto se exercita. “Prefiro me concentrar totalmente em mim mesmo.

A maneira como ele fala sobre saúde soa quase como uma filosofia. “Antes e depois do meu serviço militar, a profundidade dos meus pensamentos mudou”, diz ele. “Minha relação com o tempo também se transformou. Tento evitar coisas que fazem mal ao meu corpo. Eu costumava beber [álcool], mas agora estou tentando me abster. Quero usar meu tempo de forma mais significativa e valorizá-lo.”

Sua vida hoje gira em torno de ritmo e repetição, e de pequenos atos constantes que o mantém com os pés no chão. “Fazer algo de forma consistente, mesmo que seja pequeno, é mais importante do que fazer um grande esforço apenas uma vez”, ele diz. “Todas as manhãs, antes de tomar banho, faço um pouco de cardio, e faço a mesma coisa antes de dormir. Essa rotina muda a forma como eu me relaciono com as pessoas, a forma como encaro a comida. Ela me dá uma sensação de realização e confiança, porque consegui manter minha rotina ao longo do dia.

Para Jungkook, disciplina não é tanto sobre controle, mas sobre clareza. Quando questionado se hoje se sente mais próximo de si mesmo, ele faz uma pausa. “Sinceramente, não acho que esteja tão próximo de mim ainda”, admite, com naturalidade. “Mas ouvir essa pergunta me faz perceber que preciso me amar e cuidar mais de mim mesmo. Exercitar-se manter hábitos saudáveis, isso faz parte da rotina de me amar.

Ao perguntar a Jungkook o que o inspira atualmente, ele não hesita: “Não sou o tipo de pessoa que encontra inspiração facilmente em qualquer lugar. Quando algo artístico realmente me toca, costumo aplicar esse sentimento dentro do mesmo campo, em vez de traduzi-lo para outra área”, afirma.

Ele se sente atraído pelo romance, não de forma sentimental, mas pela maneira como a emoção pode ser expressa com simplicidade. “Gosto muito de filmes românticos como La La Land, Titanic e The Notebook/Diário de uma Paixão”, diz. “Quando alguém pergunta ‘O que é arte?’, não acho que precise ser algo grandioso ou magnífico. Para mim, arte é simplesmente algo criado por alguém que quis fazer aquilo. É o resultado desse processo, algo de que você desfruta.”

Depois de ‘GOLDEN’, veio a quietude. Na Coreia do Sul, todos os homens entre 18 e 28 anos precisam cumprir de 18 a 21 meses de serviço militar obrigatório. O alistamento de Jungkook, em dezembro de 2023, o forçou a parar — sem câmeras, sem palcos, sem música para perseguir. “Durante o meu serviço militar, mesmo que eu quisesse fazer música, as condições simplesmente não eram favoráveis”, relembrou. “Mas foi justamente por isso que o desejo de fazer música cresceu ainda mais dentro de mim. Fiquei mais ansioso para evoluir, mais determinado a entregar um trabalho melhor a todos.” A disciplina era familiar; mas o silêncio não. Pela primeira vez desde a adolescência, Jungkook precisou viver sem plateia.

Agora, de volta ao movimento, ele redescobre o ritmo, literal e figurativamente. Atualmente, está em estúdio com os integrantes do grupo, “preparando o próximo álbum do BTS”.

Estou realmente ansioso pelo próximo álbum do BTS, pelas promoções que farei com os membros e por poder reencontrar o ARMY”, ele diz. “Também estou animado com os trabalhos que vou desenvolver como artista solo. Quero aprender mais sobre dança e evoluir ainda mais, especialmente no street dance.”

Mesmo nos raros intervalos entre projetos, Jungkook não fica parado. Ele ensaia, grava, busca novas experiências, testando constantemente para onde o próximo passo pode levá-lo. “Eu sempre busquei a mudança”, explica. Esse impulso não é frenético; é direcionado. Ele aprendeu a se mover com intenção, a criar o próprio ritmo em vez de ser levado pelo de outros. “Eu quero ser um artista que não é levado pelas tendências, mas que cria as próprias tendências”, afirma. “Não quero ser limitado — quero ser um artista sem limites.

Tradução e sumarização por Jeon Jungkook Brazil. Não retire os créditos.